A inovação no turismo ganhou centralidade num contexto marcado por transformações tecnológicas, ambientais e competitivas cada vez mais exigentes. Mais do que um vetor de modernização, tornou-se uma condição essencial para qualificar a oferta, acelerar a adaptação das empresas, estimular novos produtos, serviços e modelos de negócio e reforçar a resiliência e a sustentabilidade do setor. Em Portugal, esta evolução ganha particular relevância num contexto em que o consumo turístico no território económico representou, em 2024, 16,6% do PIB.
Foi neste quadro que a inovação começou a ganhar uma expressão mais estruturada na política de turismo. O Turismo 4.0 teve um papel importante de arranque, ao aproximar o setor da agenda da transformação digital, do empreendedorismo e da experimentação, criando as bases para uma atuação mais continuada, impulsionada pelo Turismo de Portugal, e para o desenvolvimento de instrumentos especificamente dirigidos ao ecossistema turístico.
Entre esses instrumentos, o FIT – Fostering Innovation in Tourism afirmou-se como o principal mecanismo de estímulo à inovação no setor. Lançado em 2016, o programa foi concebido para apoiar iniciativas de ideação, aceleração e inovação aberta, envolvendo incubadoras, startups, empreendedores, academia, empresas e outros parceiros no desenvolvimento de soluções alinhadas com necessidades concretas da atividade turística. Ao longo das suas edições, o FIT contribuiu para consolidar uma rede colaborativa de âmbito nacional e para dar continuidade a projetos orientados para desafios emergentes do setor.
Em paralelo, foi-se afirmando um ecossistema mais articulado em torno desta agenda. O NEST – Centro de Inovação do Turismo passou a desempenhar um papel relevante na aproximação entre empresas, conhecimento, tecnologia e experimentação, enquanto a criação do CIBT veio reforçar essa trajetória através de uma infraestrutura dedicada à incubação e ao desenvolvimento de soluções de base tecnológica ligadas ao turismo.
Em conjunto, estes instrumentos traduzem a passagem de uma lógica mais pontual de modernização para uma abordagem mais estruturada da inovação no turismo, assente na criação de condições para testar soluções, mobilizar talento, aproximar empresas e conhecimento e acelerar a resposta do setor a desafios emergentes.