Este aumento foi transversal tanto às deslocações dentro do país como às viagens ao estrangeiro. As viagens em território nacional continuam a dominar, representando 85,2% do total, com 22,192 milhões de deslocações, enquanto as viagens internacionais somaram 3,858 milhões, também num máximo histórico.
O principal motivo para viajar foi o lazer, recreio ou férias, responsável por 50,2% das deslocações, o equivalente a 13,1 milhões de viagens. Seguiu-se a visita a familiares ou amigos, com 37,5% do total, e as viagens por motivos profissionais ou de negócios, com apenas 7,0% do total, destacaram-se por registarem o maior crescimento anual, de 23,9%, sinalizando uma recuperação significativa deste segmento.
Ao nível do alojamento, manteve-se a predominância do alojamento particular gratuito, utilizado em 58,4% das dormidas, ainda que com uma ligeira redução do seu peso relativo. Os hotéis e estabelecimentos similares ganharam alguma relevância, concentrando 25,3% das dormidas, enquanto o alojamento particular pago representou 12,2%.
A duração média das viagens fixou-se em 3,9 noites, o valor mais baixo desde 2016, refletindo uma tendência para estadias mais curtas, mas possivelmente mais frequentes ao longo do ano.
Em termos de destinos internacionais, Espanha manteve-se como o principal país de destino, absorvendo 38,8% das viagens ao estrangeiro, seguida por França e Itália. No seu conjunto, os países da União Europeia concentraram cerca de 69,7% das deslocações internacionais.
Dentro de Portugal, a região Norte continuou a ser o principal destino, seguida pelo Centro, enquanto o Oeste e Vale do Tejo foi a região que mais aumentou a sua representatividade. No total, metade da população residente realizou pelo menos uma viagem turística em 2025.
No 1.º trimestre, o setor apresentou um crescimento moderado, com sinais mistos, incluindo um aumento do número de hóspedes, mas uma ligeira diminuição das dormidas, influenciada em parte pelo efeito calendário da Páscoa. Ainda assim, as dormidas de residentes cresceram, contrastando com uma quebra nas de não residentes, e os proveitos do setor continuaram a aumentar, embora a um ritmo mais lento do que no final de 2024.
No 2.º trimestre verificou-se uma aceleração significativa da atividade turística, com um crescimento de 22,1% no número de viagens, totalizando cerca de seis milhões. Tanto as deslocações internas como as internacionais cresceram de forma semelhante, sendo este desempenho fortemente influenciado pela concentração da Páscoa em abril. O lazer e as visitas a familiares continuaram a ser os principais motivos de viagem, e o alojamento particular gratuito manteve-se como a opção dominante, embora os hotéis tenham registado um peso relevante, sobretudo em viagens de lazer e negócios.
No 3.º trimestre, correspondente ao período de verão, o crescimento manteve-se, mas abrandou para 8%, com um total de 8,9 milhões de viagens. As deslocações dentro do país continuaram a representar a grande maioria, cerca de 85%, enquanto as viagens ao estrangeiro cresceram de forma mais moderada. O lazer dominou claramente as motivações, representando mais de 60% das viagens, seguido pelas visitas a familiares. A duração média das estadias foi mais longa neste período, atingindo 5,42 noites, com o pico em agosto. Ainda assim, comparativamente ao ano anterior, verificou-se uma ligeira redução na duração média.
No 4.º trimestre, o turismo voltou a ganhar dinamismo, registando um crescimento de 13,2% e ultrapassando pela primeira vez a marca dos seis milhões de viagens num último trimestre do ano. Este aumento resultou tanto do crescimento das deslocações internas como das internacionais, com destaque para estas últimas. A principal motivação passou a ser a visita a familiares ou amigos, refletindo a sazonalidade típica do final do ano, enquanto o lazer também registou uma evolução positiva. O alojamento gratuito reforçou a sua predominância, sendo utilizado em 70% das dormidas, e a duração média das viagens fixou-se em 3,22 noites. Neste período, quase um quarto da população residente realizou pelo menos uma viagem, evidenciando um encerramento de ano particularmente forte para o turismo dos residentes.