A análise das tendências globais para o setor museológico em 2026, identificadas pela GlobalData, encontra uma correspondência na evolução recente do mercado português, evidenciada pelos dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística respeitantes à Oferta e Procura de Museus em 2024. Em conjunto, estes dados permitem compreender não só a transformação estrutural dos museus no turismo, como também a sua crescente relevância no contexto nacional e internacional.
O relatório da GlobalData, intitulado Museums in Tourism (2026), An analysis of key trends, opportunities and challenges facing museums, analisa o papel crescente dos museus na indústria do turismo e identifica as principais tendências que estão a transformar estes espaços em elementos estratégicos para os destinos turísticos. Com base em dados globais e benchmarks internacionais, o estudo destaca a evolução dos museus de instituições culturais tradicionais para verdadeiros motores de experiência turística.
Atualmente, os museus assumem um papel central na construção da oferta turística, funcionando como âncoras culturais que reforçam o posicionamento dos destinos. Para além da sua função educativa, contribuem para o prestígio e branding das cidades, sendo cada vez mais valorizados como espaços de enriquecimento pessoal e emocional. Ao contrário de outras atrações, permitem ainda reduzir a sazonalidade, atraindo visitantes ao longo de todo o ano.
Neste contexto, a experiência do visitante surge como um dos principais eixos de transformação. Os museus estão a investir em exposições imersivas, tecnologias interativas e conteúdos multimédia, evoluindo de modelos estáticos para experiências participativas. Esta mudança reflete uma tendência mais ampla no turismo, em que os visitantes procuram envolvimento ativo e experiências memoráveis, em vez de simples observação.
Digitalização assume papel determinante
O processo de decisão do visitante começa cada vez mais antes da viagem, através de visitas virtuais, conteúdos online e plataformas digitais. Assim, os museus adotam modelos híbridos, combinando a experiência física com o digital, o que lhes permite captar novos públicos e reforçar a sua relevância no ecossistema turístico.
Outra tendência relevante é a integração dos museus nos destinos. Estes espaços deixam de ser atrações isoladas para fazerem parte de clusters culturais e itinerários urbanos, contribuindo para aumentar a duração da estadia e o gasto turístico. Esta integração estratégica permite criar ofertas mais completas e diferenciadas, alinhadas com as expectativas dos viajantes contemporâneos.
A sustentabilidade e a gestão de fluxos turísticos constituem também desafios centrais. O aumento da procura tem levado à implementação de medidas como entradas com hora marcada e estratégias de dispersão de visitantes, com o objetivo de mitigar fenómenos de overtourism. Estas práticas são fundamentais para garantir a preservação dos espaços e melhorar a experiência do visitante.
Do ponto de vista económico, os museus apresentam um impacto significativo, ainda que indireto. Mais do que gerarem receita através da bilhética, funcionam como motores de atração turística, contribuindo para o desenvolvimento de setores como a restauração, o comércio e os serviços. No entanto, os modelos de financiamento variam entre regiões, refletindo diferentes abordagens entre Europa, Estados Unidos e Ásia.
Modelos de financiamento (implicações para turismo):
• Europa → financiamento público + bilhética
• EUA → modelo privado e filantrópico
• Ásia → forte financiamento estatal, muitas vezes gratuito
Entre os principais desafios, destacam-se a sustentabilidade financeira, a necessidade de inovação contínua e a crescente concorrência com outras formas de entretenimento, nomeadamente digitais. Ainda assim, surgem oportunidades claras, como o desenvolvimento de experiências imersivas, a captação de novos públicos e o reforço do papel dos museus como instrumentos de Turismo para todo-o-ano.
Em suma, o futuro dos museus no turismo será marcado pela capacidade de combinar experiência, tecnologia e integração territorial. Mais do que espaços de exposição, os museus afirmam-se como infraestruturas estratégicas que contribuem para a competitividade dos destinos e para a criação de experiências culturais diferenciadoras.