Home / Turismo em Portugal / Conta Satélite do Turismo | 2025

Conta Satélite do Turismo | 2025

Em 2025, o Valor Acrescentado Bruto diretamente gerado pelo Turismo (VABGT) aumentou 5,6%, para 21 473 milhões de euros, mantendo uma representatividade de 8,1% no VAB nacional.

André Tomé
Instituto Nacional de Estatística, Turismo de Portugal
04 agosto 2026

O Consumo do Turismo no Território Económico (CTTE) atingiu 49 350 milhões de euros, mais 4,9% do que no ano anterior, e foi equivalente a 16,1% do PIB, enquanto o contributo total do turismo, considerando os efeitos diretos e indiretos da atividade, ascendeu a 36 169 milhões de euros, ou 11,8% do PIB nacional. As duas percentagens correspondem a perspetivas distintas: a primeira coloca a dimensão do consumo turístico em relação com o PIB e a segunda mede o valor gerado por essa procura na economia.

Os resultados preliminares da Conta Satélite do Turismo mostram que a atividade continuou a crescer e atingiu novos máximos nominais, embora tenha passado a evoluir a um ritmo mais próximo do conjunto da economia.

Crescimento do turismo aproxima-se do ritmo da economia

O VABGT cresceu 5,6%, em linha com o VAB nacional, enquanto o CTTE aumentou 4,9%, ligeiramente abaixo do PIB. Esta evolução traduziu-se na estabilidade dos principais pesos: o VABGT manteve-se em 8,1% do VAB nacional, o contributo do turismo para o PIB fixou-se em 11,8% e o CTTE em 16,1%.

Apesar do crescimento em termos absolutos, com o consumo turístico a aumentar 2 313 milhões de euros em 2025, o turismo acompanhou a evolução da economia, sem reforçar a sua importância relativa. O contributo para o crescimento do PIB foi de 0,3 pontos percentuais, abaixo dos 0,4 pontos de 2024 e dos 1,2 pontos de 2023, refletindo uma normalização após a fase de recuperação da pandemia.

Impacto económico estende-se a outros ramos de atividade

Dos 30 358 milhões de euros de VAB total associado ao turismo em 2025, 21 473 milhões foram gerados diretamente pelas atividades que responderam à procura dos visitantes e 8 885 milhões resultaram dos efeitos indiretos sobre os respetivos fornecedores. Estes efeitos representam cerca de 29% do VAB total do turismo e refletem a capacidade da procura turística para gerar valor em atividades como a agricultura, a indústria, a energia, a construção, os transportes, o comércio e os serviços.

A estimativa permite observar uma dimensão do turismo que não é captada apenas pelos resultados das atividades diretamente contactadas pelos visitantes: uma parte relevante do seu impacto económico distribui-se pelas cadeias de produção que fornecem os bens e serviços necessários à atividade turística.

Procura externa mantém um papel central

Os resultados finais de 2023, os mais recentes com informação detalhada, mostram que a procura internacional assegurou a maioria do consumo turístico realizado em Portugal. A despesa do turismo recetor, correspondente ao consumo dos visitantes não residentes, atingiu 28 686 milhões de euros e representou 65,2% do CTTE, enquanto o turismo interno (turista doméstico) correspondeu a 30,4%. A comparação deste valor com o total das exportações portuguesas de bens e serviços, após os ajustamentos efetuados pelo INE, mostra que o turismo recetor representou 22,5% das exportações em 2023. Os mercados externos assumem, assim, uma dupla importância: sustentam a maior parte do consumo turístico e geram perto de um quarto das receitas de exportação da economia portuguesa.

O alojamento concentrou 26,8% da despesa do turismo recetor, seguindo-se a restauração e bebidas, com 25,6%, e o transporte de passageiros, com 19,7%. Cerca de um quarto da despesa incidiu em produtos conexos e não específicos, refletindo a distribuição do consumo dos visitantes internacionais pelo comércio e por outros serviços.

Emprego cresce e remunerações aproximam-se da média nacional

Em 2023, o volume de emprego nas atividades caraterísticas do turismo correspondia a 545 755 equivalentes a tempo completo (ETC), unidade que converte o trabalho realizado no equivalente a empregos anuais a tempo completo. Este valor aumentou 10,6% face a 2022 e representou 10,4% do emprego nacional medido na mesma unidade.

As atividades caraterísticas também fornecem bens e serviços a residentes no seu ambiente habitual, pelo que nem todo o emprego nelas registado está associado ao turismo. Tendo em conta a proporção da produção consumida pelos visitantes, o INE estimou que a componente efetivamente turística correspondia a cerca de 311 mil ETC, ou 57,0% do total.

A remuneração média por trabalhador aumentou 9,8%, acima da evolução observada no conjunto da economia, e passou de 91,1% para 92,8% da média nacional. Esta aproximação manteve diferenças expressivas entre atividades: na restauração e similares, que concentrava cerca de 266 mil ETC, a remuneração média correspondia a 75% da média nacional, enquanto nos transportes aéreos se situava 194,9% acima dessa referência.