Home / Turismo Internacional / Understanding European Conscious Traveller Segments - ETC

Understanding European Conscious Traveller Segments - ETC

A European Travel Commision acaba de divulgar um estudo sobre a evolução do comportamento dos turistas europeus, com foco no conceito de viajante consciente.

Pedro Pereira
European Travel Comission
13 abril 2026

O estudo Understanding European Conscious Traveller Segments desenvolve o conceito de indivíduos que demonstram preocupação com os impactos ambientais, sociais e económicos das suas viagens, procurando experiências mais sustentáveis, autênticas e equilibradas. O relatório tem por base os dados do projeto Monitoring Sentiment for Intra-European Travel, envolve 24 mil participantes de vários países europeus e conclui que do total de inquiridos, cerca de 64% apresentam pelo menos um comportamento considerado consciente, o que demonstra a relevância crescente deste segmento no mercado turístico europeu.

O turismo europeu enfrenta mudanças estruturais motivadas por fatores como as alterações climáticas, a pressão sobre destinos massificados, a digitalização e a evolução das preferências dos consumidores. Neste contexto, surge o viajante consciente, que valoriza não apenas o destino, mas também a forma como viaja. Apesar do aumento da consciência ambiental, verifica-se um desfasamento entre intenção e comportamento. Muitos viajantes afirmam valorizar a sustentabilidade, mas continuam a priorizar fatores como preço, conforto e conveniência. Ainda assim, a tendência aponta para uma integração gradual de práticas mais responsáveis.

O relatório identifica várias tendências relevantes relacionadas com o turismo consciente:
     - Procura por destinos menos conhecidos, evitando zonas com excesso de turistas;
     - Redução da sazonalidade, com maior distribuição das viagens ao longo do ano;
     - Crescimento do uso de transportes mais sustentáveis, como comboio e autocarro;
     - Valorização de experiências autênticas, incluindo contacto com comunidades locais;
     - Aumento do interesse por turismo de natureza, bem-estar e slow tourism.

Estas tendências refletem uma mudança de paradigma, onde a qualidade da experiência se sobrepõe à quantidade de viagens. Os viajantes conscientes caracterizam-se por uma elevada intenção de viajar, com cerca de 80% a planear viagens num horizonte de 6 meses; preferem destinos próximos, como o próprio país ou países vizinhos, reduzindo a necessidade de voos; tendem a permanecer mais tempo nos destinos, com metade a optar por estadias superiores a 7 noites; e distribuem as viagens por períodos fora da época alta, contribuindo para uma melhor gestão dos fluxos turísticos. Os principais critérios na escolha de destinos incluem segurança, estabilidade climática, preços acessíveis e hospitalidade local.

Entre os comportamentos mais comuns destacam-se:
     - Viagens em época baixa ou intermédia;
     - Preferência por destinos menos massificados;
     - Estadas mais longas e planeadas;
     - Uso moderado de transportes públicos;
     - Preocupação com o impacto ambiental e social das viagens.

No entanto, os fatores económicos continuam a desempenhar um papel central, sendo o custo da viagem a principal preocupação. 

O relatório identifica cinco segmentos distintos:
1. Off-beat sestination seekers: viajantes mais maduros que procuram destinos alternativos e evitam multidões;
2. Gen Z remote adventurers: jovens que combinam trabalho e viagem, valorizando flexibilidade e experiências;
3. Hassle-free Holidaymakers: turistas que privilegiam conforto e destinos tradicionais;
4. Impact-aware Travellers: indivíduos preocupados com o impacto ambiental, que adotam práticas mais sustentáveis;
5. Eco-responsible Explorers: o segmento mais comprometido com a sustentabilidade, focado em natureza e baixo impacto.

Cada um destes segmentos apresenta comportamentos, motivações e necessidades distintas, exigindo abordagens diferenciadas por parte dos destinos turísticos. Os padrões de viagem variam entre os segmentos, mas existem características comuns como a predominância de viagens dentro da Europa; a diversidade de tipos de férias (praia, cidade, cultura, natureza); a crescente utilização de transportes alternativos ao avião; e a preferência por experiências personalizadas e autênticas. Os viajantes mais conscientes tendem a valorizar a qualidade da experiência e a ligação com o destino, em detrimento de viagens rápidas e massificadas.

As alterações climáticas influenciam cada vez mais o comportamento dos turistas. Muitos viajantes ajustam os seus planos com base nas condições meteorológicas, evitando destinos com temperaturas extremas ou fenómenos climáticos adversos. Entre as principais adaptações destacam-se a escolha de destinos com clima mais ameno, a alteração das datas de viagem e a preferência por atividades menos dependentes do clima.

O crescimento do turismo consciente representa uma oportunidade estratégica para destinos e operadores turísticos. Desta forma, a resposta a este conjunto de preocupações e preferências é necessário promover destinos alternativos e menos conhecidos; incentivar viagens fora da época alta; investir em mobilidade sustentável; desenvolver experiências autênticas e locais; comunicar de forma transparente práticas sustentáveis.

A adaptação a estas tendências pode contribuir para um turismo mais equilibrado, sustentável e resiliente.

Em conclusão, o relatório demonstra que o turismo consciente está a consolidar-se como uma tendência estrutural no mercado europeu, embora ainda persistam desafios, como o equilíbrio entre custo e sustentabilidade, os viajantes estão cada vez mais atentos ao impacto das suas escolhas. O futuro do turismo passa por modelos mais responsáveis, que conciliem crescimento económico com preservação ambiental e bem-estar das comunidades locais.