Os eventos de verão têm capacidade para gerar €3,7 bilhões em receitas turísticas adicionais em Espanha, Itália, França e Grécia.
Segundo a Data Appeal, com base em insights da Data Appeal Mabrian, eventos de grande dimensão são responsáveis por gerar 51% dos gastos turísticos adicionais ligados a eventos de verão, apesar de representarem menos de 1% de todos os eventos programados do lado europeu da Bacia do Mediterrâneo. No período entre maio e setembro, os consumos adicionais totais do turismo gerado por eventos em Espanha, Itália, França e Grécia deve atingir €3,7 bilhões.
A análise identifica quatro aspetos chave sobre eventos de verão com base em dados médios e específicos de destino daqueles quatro países em todos os eventos programados entre maio e setembro de 2026. É avaliado o seu impacto no turismo em termos do número e categoria de eventos, participação e gastos adicionais do turismo (despesa adicional gerada por visitantes que viajam especificamente para participar em cada evento).
Os concertos e festivais lideram os eventos de verão em todo o Mediterrâneo. Nos quatro países analisados, os concertos representam a maior parcela dos eventos de verão, representando 38,5% do total. A França é a exceção, onde eventos de artes cénicas representam a maior proporção (43,5%), apesar de gerar menor público e gastos turísticos. Em termos de público, os eventos musicais, especialmente festivais (38,6%) e concertos (22,2%) e eventos desportivos (28%) atraem a maior parte do público entre os quatro destinos. Exposições e feiras comerciais também registam forte público, especialmente na Grécia (34%) e, em menor grau, em Itália (14,4%) e em França (12,8%).
O sub-setor de F&B (alimentação e bebidas) impulsiona o impacto económico local dos eventos. Em termos médios, estima-se que 52% dos gastos adicionais do turismo relacionado com estes eventos são retidos por restaurantes, bares e outros negócios de alimentação e bebidas, destacando-se a contribuição significativa do setor para as economias locais nos destinos analisados. Em eventos comunitários a proporção de gastos em F&B é ainda maior, atingido quase dois terços dos gastos turísticos.
Entre os destinos analisados, os eventos realizados em junho e julho alcançam o equilíbrio mais favorável entre o número de eventos e o aumento dos gastos turísticos que geram. Este estudo define esse período como a “Janela de Lucratividade”, ou seja, a época em que os destinos podem maximizar o gasto dos visitantes com menos eventos, aumentando os retornos económicos antes do pico de procura dos visitantes, ao mesmo tempo que evitam a pressão adicional do turismo durante as semanas mais movimentadas da época de verão.
Uma outra questão estratégica prende-se com as diferentes dimensões dos eventos. Eventos com mais público esperado e consequentes gastos turísticos (classificados no estudo como eventos de Nível 1) são os principais motores dos gastos dos visitantes e do impacto económico local. Nos quatro destinos analisados, 51% dos gastos turísticos relacionados com eventos são gerados por eventos de Nível 1, apesar de representarem menos de 1% de todos os eventos de verão. Otimizar o melhor momento e o número de eventos de Nível 1, pode propiciar aos destinos a oportunidade de maximizar benefícios económicos, ao mesmo tempo que apoiam a qualidade de vida dos residentes. simultaneamente, eventos de Nível 2, que representam 43% de todos os eventos de verão, combinam um forte gasto adicional do turismo com menores níveis de público. Isso torna-os numa opção estratégica válida para destinos com menor capacidade de acolhimento que procuram aumentar a receita turística enquanto gerem os fluxos de visitantes de forma mais sustentável.
Eventos de verão em Portugal
O turismo de eventos de verão é hoje um dos principais catalisadores da atratividade turística em Portugal. Embora não exista um inventário nacional único, cruzando dados de municípios, Turismo de Portugal, promotores, federações desportivas e associações setoriais é possível construir uma estimativa bastante robusta. Uma triangulação de fontes utilizada pelo ChatGPT estimou entre 4.000 a 5.000 o número de eventos relevantes durante os meses de verão. Naturalmente, apenas uma pequena fração deste número tem capacidade para gerar fluxos turísticos nacionais ou internacionais.
Ao segmentar estes eventos por dimensão, verificamos que é muito reduzido o número de “megaeventos”, ou seja, acima de 150.000 visitantes/participantes. Curiosamente, os maiores são todos manifestações ou festas de cariz popular: Os Santos Populares, em Lisboa; a noite de São João, no Porto; a Romaria da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo e a Feira de São Mateus, em Viseu. Todos estes eventos movimentam mais de 1 milhão de visitantes. Nesta categoria vamos encontrar apenas três eventos com entradas pagas: A Feira Medieval de Santa Maria da Feira, que na sua edição de 2026, terá tido 650.000 visitantes; o Rock in Rio Lisboa-2026, 330.000; e o Nos Alive, em Oeiras, 160.000. Em termos de capacidade de captação de fluxos internacionais, devem ser destacados estes dois festivais, tendo o Rock in Rio trazido espetadores oriundos de 127 países, e o Nos Alive de 110 nacionalidades diferentes.
Quanto ao impacto económico gerado, as feiras e festas populares são as que se estima que tenham maior relevância, seguidas de perto pelos eventos desportivos e pelos eventos musicais – concertos e festivais.
A análise individualizada do impacto económico de cada um dos principais eventos faz ressaltar a liderança do Rali de Portugal como o evento gerador de maior impacto económico, tendo a edição de 2025 sido responsável por 193M€ de impacto económico total, sendo que 103M€ de impacto direto e 89M€ indiretos. Estes números constam do estudo “Estudo do Impacto do WRC Vodafone Rally de Portugal 2025 na Economia do Turismo e Formação da Imagem dos Destinos: Portugal”, realizado pela Universidade do Algarve, que estimou em mais de um milhão o número de espetadores, dos quais 36,5% eram estrangeiros.
Já entre os eventos musicais, o que gera maior impacto económico é o Rock in Rio. Um Estudo da Nova SBE relativo à edição de 2024, estimou em mais de 120M€ o impacto direto na economia nacional, tendo sido criados 2.000 postos de trabalho.
Somando efeitos diretos, indiretos e induzidos, uma estimativa prudente aponta para que o conjunto de eventos de verão em Portugal seja estimado entre os 4 e os 6 mil M€.
Estes valores são coerentes com a importância crescente do turismo na economia portuguesa, que em 2025 registou 32,5 milhões de hóspedes, receitas turísticas de 29,1 mil milhões de euros e crescimento continuado da procura internacional.