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Tendências e Impacto dos Eventos de Verão nos Países do Sul da Europa

O estudo da Data Appeal conclui que os meses entre maio e agosto oferecem aos destinos maior potencial para maximizar a receita turística, destacando os eventos de média dimensão como estratégia para distribuir benefícios económicos e aliviar a pressão da época alta.

Pedro Pereira
11 agosto 2026

Os eventos de verão têm capacidade para gerar €3,7 bilhões em receitas turísticas adicionais em Espanha, Itália, França e Grécia.

Segundo a Data Appeal, com base em insights da Data Appeal Mabrian, eventos de grande dimensão são responsáveis por gerar 51% dos gastos turísticos adicionais ligados a eventos de verão, apesar de representarem menos de 1% de todos os eventos programados do lado europeu da Bacia do Mediterrâneo. No período entre maio e setembro, os consumos adicionais totais do turismo gerado por eventos em Espanha, Itália, França e Grécia deve atingir €3,7 bilhões.

A análise identifica quatro aspetos chave sobre eventos de verão com base em dados médios e específicos de destino daqueles quatro países em todos os eventos programados entre maio e setembro de 2026. É avaliado o seu impacto no turismo em termos do número e categoria de eventos, participação e gastos adicionais do turismo (despesa adicional gerada por visitantes que viajam especificamente para participar em cada evento).

Os concertos e festivais lideram os eventos de verão em todo o Mediterrâneo. Nos quatro países analisados, os concertos representam a maior parcela dos eventos de verão, representando 38,5% do total. A França é a exceção, onde eventos de artes cénicas representam a maior proporção (43,5%), apesar de gerar menor público e gastos turísticos. Em termos de público, os eventos musicais, especialmente festivais (38,6%) e concertos (22,2%) e eventos desportivos (28%) atraem a maior parte do público entre os quatro destinos. Exposições e feiras comerciais também registam forte público, especialmente na Grécia (34%) e, em menor grau, em Itália (14,4%) e em França (12,8%).

O sub-setor de F&B (alimentação e bebidas) impulsiona o impacto económico local dos eventos. Em termos médios, estima-se que 52% dos gastos adicionais do turismo relacionado com estes eventos são retidos por restaurantes, bares e outros negócios de alimentação e bebidas, destacando-se a contribuição significativa do setor para as economias locais nos destinos analisados. Em eventos comunitários a proporção de gastos em F&B é ainda maior, atingido quase dois terços dos gastos turísticos.

Entre os destinos analisados, os eventos realizados em junho e julho alcançam o equilíbrio mais favorável entre o número de eventos e o aumento dos gastos turísticos que geram. Este estudo define esse período como a “Janela de Lucratividade”, ou seja, a época em que os destinos podem maximizar o gasto dos visitantes com menos eventos, aumentando os retornos económicos antes do pico de procura dos visitantes, ao mesmo tempo que evitam a pressão adicional do turismo durante as semanas mais movimentadas da época de verão.

Uma outra questão estratégica prende-se com as diferentes dimensões dos eventos. Eventos com mais público esperado e consequentes gastos turísticos (classificados no estudo como eventos de Nível 1) são os principais motores dos gastos dos visitantes e do impacto económico local. Nos quatro destinos analisados, 51% dos gastos turísticos relacionados com eventos são gerados por eventos de Nível 1, apesar de representarem menos de 1% de todos os eventos de verão. Otimizar o melhor momento e o número de eventos de Nível 1, pode propiciar aos destinos a oportunidade de maximizar benefícios económicos, ao mesmo tempo que apoiam a qualidade de vida dos residentes. simultaneamente, eventos de Nível 2, que representam 43% de todos os eventos de verão, combinam um forte gasto adicional do turismo com menores níveis de público. Isso torna-os numa opção estratégica válida para destinos com menor capacidade de acolhimento que procuram aumentar a receita turística enquanto gerem os fluxos de visitantes de forma mais sustentável.

Eventos de verão em Portugal

O turismo de eventos de verão é hoje um dos principais catalisadores da atratividade turística em Portugal. Embora não exista um inventário nacional único, cruzando dados de municípios, Turismo de Portugal, promotores, federações desportivas e associações setoriais é possível construir uma estimativa bastante robusta. Uma triangulação de fontes utilizada pelo ChatGPT estimou entre 4.000 a 5.000 o número de eventos relevantes durante os meses de verão. Naturalmente, apenas uma pequena fração deste número tem capacidade para gerar fluxos turísticos nacionais ou internacionais.

Fonte: várias

Ao segmentar estes eventos por dimensão, verificamos que é muito reduzido o número de “megaeventos”, ou seja, acima de 150.000 visitantes/participantes. Curiosamente, os maiores são todos manifestações ou festas de cariz popular: Os Santos Populares, em Lisboa; a noite de São João, no Porto; a Romaria da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo e a Feira de São Mateus, em Viseu. Todos estes eventos movimentam mais de 1 milhão de visitantes. Nesta categoria vamos encontrar apenas três eventos com entradas pagas: A Feira Medieval de Santa Maria da Feira, que na sua edição de 2026, terá tido 650.000 visitantes; o Rock in Rio Lisboa-2026, 330.000; e o Nos Alive, em Oeiras, 160.000. Em termos de capacidade de captação de fluxos internacionais, devem ser destacados estes dois festivais, tendo o Rock in Rio trazido espetadores oriundos de 127 países, e o Nos Alive de 110 nacionalidades diferentes.

Quanto ao impacto económico gerado, as feiras e festas populares são as que se estima que tenham maior relevância, seguidas de perto pelos eventos desportivos e pelos eventos musicais – concertos e festivais.

Fonte: várias

A análise individualizada do impacto económico de cada um dos principais eventos faz ressaltar a liderança do Rali de Portugal como o evento gerador de maior impacto económico, tendo a edição de 2025 sido responsável por 193M€ de impacto económico total, sendo que 103M€ de impacto direto e 89M€ indiretos. Estes números constam do estudo “Estudo do Impacto do WRC Vodafone Rally de Portugal 2025 na Economia do Turismo e Formação da Imagem dos Destinos: Portugal”, realizado pela Universidade do Algarve, que estimou em mais de um milhão o número de espetadores, dos quais 36,5% eram estrangeiros.

Já entre os eventos musicais, o que gera maior impacto económico é o Rock in Rio. Um Estudo da Nova SBE relativo à edição de 2024, estimou em mais de 120M€ o impacto direto na economia nacional, tendo sido criados 2.000 postos de trabalho.

Somando efeitos diretos, indiretos e induzidos, uma estimativa prudente aponta para que o conjunto de eventos de verão em Portugal seja estimado entre os 4 e os 6 mil M€.

Fonte: várias

Estes valores são coerentes com a importância crescente do turismo na economia portuguesa, que em 2025 registou 32,5 milhões de hóspedes, receitas turísticas de 29,1 mil milhões de euros e crescimento continuado da procura internacional.