A segunda reunião da Destination Watch realizada em Peniche no dia 13 de outubro na Universidade de Leiria e Oeste, culminou com um referencial comum de indicadores, construído com base na UN Tourism, na OCDE e no TravelBI. Os observatórios assumiram o compromisso de medir em conjunto com o Turismo de Portugal 70 indicadores, ao nível regional, em 11 áreas: Sazonalidade Turística; Emprego; Benefícios Económicos do destino; Gestão de Resíduos Sólidos; Gestão hídrica; Gestão da Energia; Ação Climática; Satisfação Local; Governação; Acessibilidade; Gestão de águas residuais / saneamento a ser reportados em comum.
Sob a premissa de que “não conseguimos gerir bem aquilo que não conhecemos”, o encontro reforçou o papel dos observatórios em produzir informação regular para apoiar autarquias, entidades regionais e empresas, sintetizando a visão futura em seis ideias-chave:
1. Decisão baseada em dados: substituir perceções por dados concretos de suporte à gestão;
2. Redefinir o sucesso: privilegiar métricas de valor e impacto em detrimento de volume;
3. Comparabilidade: consolidar um sistema comum e comparável entre os sete observatórios;
4. Foco em 2027: implementar a monitorização da satisfação local e da água;
5. Novas fontes: incorporar pelo menos uma fonte de dados complementar por região;
6. Da análise à ação: assegurar, por região, pelo menos um caso prático de decisão guiada por dados.
Na sequência desta reunião, realizou-se no dia 14 de outubro a 1.ª conferência da rede de observatórios, cuja sessão de abertura contou com o Presidente da Câmara Municipal de Peniche, Felipe Sales, do Pró-Reitor Sérgio Leandro e do presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, que sublinhou a urgência de o turismo gerar maior impacto positivo no território e nas pessoas, apontando a tecnologia, o conhecimento e a cooperação como os três grandes aceleradores da transformação do setor.
A conferência reuniu ainda contributos técnicos e práticos de referência. Sérgio Guerreiro do Turismo de Portugal destacou o papel dos ecossistemas de dados e inovação para construir destinos com significado; e Peter Haxton, em representação da OCDE, apresentou o exercício-piloto concebido para compreender desafios de compilação e aperfeiçoar métricas, do qual resultou um conjunto de indicadores em processo de alinhamento com os quadros internacionais MST (Measuring the Sustainability of Tourism) e TSA (Tourism Satellite Account), promovidos pela UN Tourism e pelo Eurostat, com os quais a OCDE mantém discussões técnicas regulares.
Na partilha de boas práticas, Jakob Hillebrand deu a conhecer o caso de South Tyrol e a sua metodologia assente em monitorização, reporte e envolvimento ativo dos stakeholders, frisando que a medição contínua estabelece a ligação indispensável entre a atividade turística e as consequências ambientais, sociais e económicas, viabilizando uma gestão baseada em factos. Numa vertente mais operacional, Manuel Franco, da A to Z, detalhou a medição da utilização de percursos pedestres e cicláveis através de contadores no terreno combinados com informação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), sublinhando que a consistência temporal das leituras é fundamental para gerir percursos e articulá-los com outros produtos no destino.
Por sua vez, a tecnologia revelou-se uma aliada central com a apresentação da plataforma ORVE, concebida para monitorizar emissões de gases com efeito de estufa, consumos de água e energia ou consumos em lazer e gastronomia, tendo Patrícia Malheiro Araújo, da Biosphere, lembrado que a eficácia destas ferramentas exige proximidade e colaboração constante com os operadores locais.
A rematar as conclusões, Jaime Serra, do Observatório do Alentejo e Ribatejo, reforçou que a palavra-chave de todo o processo é a adoção, já que os dados só ganham valor efetivo quando entram na cadeia de valor e mudam comportamentos, sendo a cooperação entre observatórios, academia, empresas e autarquias o modelo determinante para lá chegar.
