No dia 1 de julho, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) publicou o relatório OECD Tourism Trends and Policies 2026, uma publicação de referência internacional que analisa o desempenho do turismo e as principais orientações de política pública em 53 países membros e parceiros da OCDE.
A edição de 2026 surge num contexto em que o turismo voltou a atingir níveis elevados de procura em muitos países, mas enfrenta um enquadramento mais incerto, marcado por tensões geopolíticas, pressões económicas, alterações nos padrões de mobilidade e impactos crescentes associados a fenómenos meteorológicos extremos. O relatório sublinha, por isso, a necessidade de políticas mais flexíveis, coordenadas e assentes em evidência, capazes de apoiar um desenvolvimento turístico mais sustentável, resiliente e competitivo.
Entre as principais conclusões, a OCDE destaca que a procura turística manteve uma trajetória positiva nos últimos anos. Em 2024, as chegadas de turistas internacionais aos países da OCDE aumentaram 8,1%, atingindo 819,5 milhões, acima dos níveis pré-pandemia. Em 2025, o crescimento terá prosseguido, com um aumento estimado de 3,4%. Ainda assim, a evolução recente foi condicionada, no início de 2026, pelo conflito no Médio Oriente, com impactos nos fluxos turísticos, nos custos de transporte e na perceção de segurança em alguns mercados e rotas.
A edição de 2026 reflete uma agenda de política turística mais exigente, em que os indicadores de procura são analisados em articulação com a criação de valor económico, a gestão das pressões territoriais, o envolvimento das comunidades residentes, a resposta aos desafios ambientais e a preparação dos destinos para situações de crise. A digitalização, a inteligência artificial e o reforço dos sistemas de dados são também apontados como fatores decisivos para uma gestão turística mais informada. Segundo a OCDE, a disponibilidade de dados mais granulares, atualizados e comparáveis permite melhorar o desenho das políticas públicas, apoiar a tomada de decisão nos destinos e acompanhar de forma mais rigorosa os impactos económicos, sociais e ambientais do turismo.
A publicação inclui ainda capítulos temáticos sobre os benefícios sociais do turismo e sobre a adaptação do setor a eventos meteorológicos extremos, refletindo duas dimensões cada vez mais presentes nas agendas nacionais: a relação entre turismo e comunidades locais e a necessidade de preparar empresas, destinos e infraestruturas para riscos climáticos mais frequentes e severos.
No perfil dedicado a Portugal, a OCDE destaca o peso estrutural do turismo na economia nacional. Em 2024, o setor gerou 27,7 mil milhões de euros em exportações de viagens, correspondendo a 47,9% das exportações de serviços. O turismo representou ainda 8,1% do Valor Acrescentado Bruto em 2024 e 12,1% do emprego em 2023, equivalente a 542,2 mil postos de trabalho diretos. Portugal registou, em 2024, 88,3 milhões de dormidas no conjunto dos meios de alojamento, mais 3,8% do que em 2023. A procura internacional representou 59,8 milhões de dormidas, cerca de 68% do total, com Espanha, Reino Unido e Alemanha a surgirem como os principais mercados emissores.
A OCDE assinala ainda o processo de reflexão estratégica em curso para a definição de um novo instrumento de política turística para a próxima década, a Estratégia Turismo 2035.
A publicação OECD Tourism Trends and Policies 2026 reforça, assim, a importância de políticas públicas integradas, capazes de responder simultaneamente à competitividade económica, à sustentabilidade ambiental, à coesão territorial e ao bem-estar das comunidades. Para Portugal, estas dimensões são particularmente relevantes num momento de consolidação do desempenho turístico e de preparação de um novo ciclo estratégico para o setor.