Os dados revelam um mercado marcado por uma contração inicial acentuada — com 86% dos entrevistados a relatar quedas de até 50% durante as “pontes” da primavera — seguida por uma recuperação gradual nas reservas a partir de junho e início de julho, acompanhada por um regresso acentuado às vendas de last minute.
"Os dados mostram que, felizmente, os italianos não pararam de viajar, mas estão a tomar decisões com mais cautela. Esperam até o último momento e procuram opções seguras e confiáveis. A crise do Golfo ajudou a redirecionar a atenção para o valor percebido das agências de viagens: muitos viajantes independentes ficaram desamparados, enfrentando transtornos significativos sem um ponto de contato para oferecer assistência oportuna", explicou Fulvio Avataneo, presidente da AIAV.
"O setor de turismo organizado enfrenta uma temporada lenta — impactada pela geopolítica, pelo aumento de custos e pela redução do poder de compra das famílias —, mas continua a ser o meio mais eficaz de converter uma procura volátil em viagens reais. A recuperação é incipiente, porém real, impulsionada pela capacidade de interpretar o comportamento do cliente em tempo real e oferecer soluções flexíveis."
Quanto à segmentação de produtos e destinos, as ofertas de verão concentram-se principalmente em viagens de curta e média distância. Cerca de 75% das agências relatam um excelente desempenho para Espanha, Grécia e destinos litorais italianos, com tendências positivas para o Egito e turismo doméstico de proximidade (em crescimento para 84% dos entrevistados, incluindo os segmentos de lagos e montanhas).
As reservas de cruzeiros mantêm-se estáveis, enquanto o setor de longa distância apresenta uma tendência de polarização: as viagens para os Estados Unidos estão em queda, ao passo que destinos como Quênia e Tailândia mantêm bons resultados — embora as reservas para estes últimos estejam concentradas em partidas no outono e inverno (a partir de outubro).
Uma constatação estrutural decorrente da sondagem diz respeito ao papel da cobertura de seguros, que agora é considerada por todas as agências entrevistadas como um componente padrão e não opcional do pacote de viagem.