O turismo desportivo consolidou-se como um dos segmentos mais dinâmicos e de crescimento mais rápido da indústria turística global, representando cerca de 10% da despesa mundial do setor. De acordo com os dados de varias fontes, compilados pelo Turismo de Portugal, este mercado - estimado entre 565 e 610 mil milhões de dólares no biénio 2023-2025 - apresenta uma extraordinária capacidade de mobilização, projetando-se que ultrapasse os 1,3 biliões de dólares até 2032, com uma taxa de crescimento anual expectável em torno dos 16% CAGR. A Europa lidera de forma incontestável este ecossistema, absorvendo entre 38% a 40% do mercado global, impulsionada pela forte concentração de grandes competições, infraestruturas de excelência e facilidade de mobilidade interna.
O perfil do turista desportivo destaca-se por uma despesa média elevada, acima de 1.500 dólares/viagem, beneficiando subsetores como o alojamento, a restauração e o comércio local. O relatório divide a procura em 4 grandes tipologias: turistas de eventos, ativos, passivos e nostálgicos); e revela que as gerações mais jovens (Geração Z com 37% e Millennials com 33%) lideram a propensão para o turismo desportivo e de aventura. Adicionalmente, o processo de planeamento destas viagens atravessa uma profunda transformação digital: os dados demonstram que as ferramentas baseadas em Inteligência Artificial (IA) e os fóruns de fãs online já superam as agências de viagens tradicionais como as fontes de informação mais utilizadas pelos viajantes.
Perante este crescimento acelerado, o futuro do setor exige uma gestão integrada que consiga conciliar o retorno financeiro com os limites ambientais do planeta e o bem-estar das comunidades locais. O documento sublinha que os grandes eventos funcionam como catalisadores de investimento público e privado , mas alerta para o debate crítico em torno dos custos astronómicos e das infraestruturas abandonadas após eventos do passado. A tendência atual aponta para novos modelos de governação assentes na sustentabilidade estrutural (alinhada com os ODS) , na descentralização e reutilização de instalações, e na criação de produtos turísticos híbridos que cruzem o desporto com a gastronomia, cultura e natureza para mitigar a sazonalidade.