A ETC publicou o 24.º relatório com o objetivo de avaliar as intenções de viagens de curto prazo dos viajantes europeus em dez mercados de origem. O relatório fornece informações sobre as preferências de viagem dos inquiridos, incluindo tipos de destinos e experiências, períodos de férias e principais preocupações relacionadas com as viagens a realizar nos próximos meses. Os resultados do inquérito Monitoring Sentiment for Domestic and Intra-European Travel foram obtidos em março, no atual contexto marcado por desafios contemporâneos para a indústria das viagens, como os conflitos geopolíticos, com destaque para a guerra do médio oriente, a inflação e a crise climática.
Deste estudo destacamos que:
• 82% dos europeus planeiam viajar na época de primavera-verão. É o resultado mais elevado desde 2020. O lazer consolida-se como a principal motivação para viajar, tendo aumentado +10%, em contraponto com o turismo de negócios que baixou -4%;
• As viagens intra-europeias continuam a prevalecer com 65% das intenções, embora com aumento da intenção de visitar outros destinos que não sejam os países vizinhos (+4%);
• Mais de metade dos europeus (53%) planeiam visitar apenas um único destino, ao mesmo tempo que a intenção de visitar múltiplos destinos, particularmente relevante entre os mais jovens, aumentou +5%;
• Como resultado da instabilidade internacional cresceu entre os europeus a vontade de fazer apenas uma viagem nos próximos 6 meses (+7%), de viajarem por períodos de menor duração e aumentou a vontade de utilizar o automóvel como principal meio de locomoção.
As motivações de viagem estão em alta, tendo atingido o valor mais elevado desde 2020, tendo aumentado 5% relativamente ao período homólogo de 2025 e subido quase +10%, em comparação com o inquérito anterior.
Com a chegada da primavera, o sol e praia volta a prevalecer nas intenções de viagem (28%), seguido dos city-breaks e das viagens culturais (16%). Entre os mais destacados motivos para viajar nos próximos 6 meses estão a natureza (14%), e o bem-estar e o descanso (11%).
Neste período de primavera-verão, parece haver uma ligeira predisposição dos europeus para retardarem o gozo dos seus períodos de férias, com uma ligeira diminuição de -0,4% nos meses de primavera, face ao ano anterior, contra um ligeiro aumento de +1,7% nos meses de verão.
Apesar do significativo aumento da vontade de viajar e como forma de contornar o aumento dos custos, os europeus planeiam encurtar as suas estadas nos destinos face ao que acontecia há um ano atrás e reduzir os seus orçamentos de viagem. As viagens de até 6 noites são a escolha mais popular (53%), registando um aumento de 6%. Durante estas estadias, a maioria dos viajantes vai gastar menos de 1.500€. Em contrapartida, os que estão disponíveis para gastar mais de 1.500€ diminuiram este ano -9%.
Um aspeto significativo parece incidir sobre a distribuição das intenções de viagem pelas diferentes regiões europeias. Tudo indica que a liderança destacada dos países do sul (+17%), será ainda mais reforçada, em grande parte devido à diminuição de fluxos turísticos em direção à Europa da Leste (-6%).
O prolongamento da difícil conjuntura económica europeia continua a dominar as principais preocupações dos residentes no continente no que se relaciona com a realização das suas próximas viagens. As preocupações relativamente à inflação aumentaram e lideram com 20%, surgindo como a principal preocupação. Entre os europeus que se mostram disponíveis para viajar, os custos diretamente associados à realização das viagens assumem um papel relevante. Cerca de 18% temem o potencial impacto das tensões no Médio-Oriente e 16% manifesta preocupação com a situação económica e com a sua situação financeira. A guerra na Ucrânia e os impactos ao nível da segurança surgem de seguida como motivo de preocupação para 12% dos inquiridos. Um terceiro grupo de preocupações contempla aspetos como problemas de serviço devidos à ocorrência de greves ou falta de pessoal (9%), o excesso de procura de determinados destinos (9%) e a ocorrência de fenómenos atmosféricos extremos (7%).
Portugal é o 4º país (juntamente com a Grécia) que concentra maiores preferências dos viajantes europeus para os próximos meses. O Top-10 de preferências é liderado pelos países do sul da Europa, com Espanha e Itália no topo das intenções de viagem, registando aumentos significativos. Em contraste, os países do Norte e do Leste da Europa concentram as taxas de preferência mais baixas para viajar nos próximos meses.
Relativamente à distribuição dos gastos em viagem, por categoria de produtos e serviços, as maiores parcelas destinam-se ao alojamento (31%, 4%) e comidas e bebidas (23%, +3%). O top-3 de gastos é completado com a rubrica de atividades que mantem o nível de gastos do inquérito anterior (17%). Ao cruzar as categorias de gastos com as faixas etária, verifica-se a liderança dos + de 55 nas categorias alojamento e alimentação, sendo a faixas etária que menos gasta em todas as outras categorias. Em contraponto, as faixas etárias mais jovens que são as que menos gastam em alojamento em alimentação, são as que apresentam gastos mais elevados em todas as outras categorias, promovendo uma maior dinamização dos negócios locais, contribuído positivamente para o desenvolvimento das economias nos destinos.