Home / Comportamento do Consumidor / Estudo de Sentimento dos Visitantes a Portugal – Principais Resultados da 3.ª Vaga

Estudo de Sentimento dos Visitantes a Portugal – Principais Resultados da 3.ª Vaga

O Estudo de Análise de Sentimento dos Visitantes a Portugal é uma iniciativa do Turismo de Portugal, que visa acompanhar, de forma sistemática e continuada, as intenções dos turistas internacionais em relação ao destino Portugal.

André Tomé
Turismo de Portugal, MINDHAUS
19 junho 2026

Portugal mantém-se como o 4.º destino do Sul da Europa mais considerado pelos viajantes internacionais, a par da Grécia, de acordo com a 3.ª vaga do Estudo de Análise de Sentimento dos Visitantes a Portugal. O estudo foi realizado em maio de 2026, em 10 mercados emissores, e abrange o período de viagens entre junho de 2026 e maio de 2027. No total, foram auscultados cerca de 6.680 viajantes com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos.

A intenção de viajar para o Sul da Europa diminuiu face à vaga anterior, passando de 70% na 2.ª vaga para 65% na 3.ª vaga. No caso de Portugal, 27% dos viajantes que planeiam visitar o Sul da Europa indicam intenção de visitar o país, mantendo-se Portugal na 4.ª posição entre os destinos considerados para a próxima viagem à região. As intenções de visita a Portugal são mais elevadas entre os inquiridos do Brasil (46%), França (32%), Canadá (30%) e Espanha (28%).

Os critérios de escolha de um destino no Sul da Europa mantêm-se globalmente estáveis face à 2.ª vaga. A segurança continua a ser o fator mais referido (16%), seguida dos preços e pacotes atrativos (15%), do acolhimento das populações locais (15%) e da existência de cultura e natureza únicas (14%). Entre as principais preocupações associadas às viagens para o Sul da Europa, destacam-se o aumento dos custos de viagem (21%) e a situação económica e financeira pessoal (14%). Nesta vaga, foi ainda incluída uma nova dimensão relacionada com o conflito no Médio Oriente, referida por 15% dos inquiridos como preocupação. Quando questionados sobre o impacto deste contexto nas suas decisões de viagem, 41% dos viajantes indicam que continuarão a viajar para o estrangeiro, mas evitando destinos próximos da área de conflito, enquanto 19% afirmam que não irão alterar os seus planos. Em sentido contrário, 14% admitem adiar viagens para mais tarde, 17% referem que poderão viajar apenas dentro do seu próprio país e 10% indicam que não irão viajar até ao fim do conflito. O impacto não é homogéneo entre mercados: os viajantes dos EUA (33%), Itália (29%), Espanha (28%), França (28%), Brasil (27%) e Canadá (26%) são os que mais referem a possibilidade de evitar viagens ou privilegiar deslocações domésticas, enquanto esta proporção é menor nos Países Baixos (19%), Alemanha e Irlanda (21% em ambos os casos).

No que respeita à relação com Portugal, 66% dos potenciais visitantes são repetentes, valor ligeiramente superior ao registado na 2.ª vaga. Destes, 18% indicam já ter visitado Portugal pelo menos três vezes. A perceção de sustentabilidade do destino permanece elevada, com cerca de quatro em cada cinco inquiridos a reconhecerem que os produtos e atividades turísticas em Portugal apoiam as comunidades e economias locais e contribuem para a preservação dos recursos culturais e naturais.

Motivações para visitar Portugal

O lazer continua a ser o principal motivo de viagem para Portugal, representando 74% das respostas. Seguem-se a visita a amigos e familiares (12%), a participação em eventos (9%) e as viagens profissionais (6%). Entre os tipos de viagem de lazer mais prováveis em Portugal, cultura e património mantêm a 1.ª posição (19%), seguidos de sol e praia (18%) e natureza e ar livre (13%). As preferências variam por idade, com maior peso do sol e praia entre os viajantes mais jovens e maior relevância da cultura e património entre os visitantes com 45 ou mais anos.

No planeamento da viagem, os motores de busca (15%) e os websites de viagens (14%) continuam a ser as ferramentas digitais mais utilizadas. As plataformas de inteligência artificial generativa aumentam a sua relevância, passando para 10% das respostas, face aos 8% registados na 2.ª vaga. A utilização destas plataformas é mais expressiva entre os viajantes dos 18 aos 44 anos.

A maioria dos viajantes continua a prever reservar os vários serviços de forma independente, junto de diferentes fornecedores (57%). Os pacotes de transporte e alojamento representam 26% das respostas, enquanto os pacotes tudo incluído correspondem a 17%. Ao mesmo tempo, aumenta a proporção de viajantes com a viagem total ou parcialmente reservada, que passa de 34% na 2.ª vaga para 39% na 3.ª vaga.

A distribuição temporal das viagens previstas para Portugal revela maior concentração nos meses de verão e início de outono. Setembro surge como o mês mais referido (21%), seguido de agosto (13%), julho (10%) e outubro (10%). Quanto à organização da viagem, 38% dos inquiridos planeiam viajar para Portugal em família, enquanto 35% preveem viajar em casal. O avião continua a ser o principal meio de transporte para chegar a Portugal, referido por 81% dos potenciais visitantes, embora o automóvel tenha maior expressão nos mercados espanhol e francês. Os hotéis mantêm-se como a principal opção de alojamento (50%), seguidos dos alojamentos de curta duração (25%).

Em termos de duração, as viagens de 4 a 6 noites passam a ser a opção mais frequente, representando 37% das respostas enquanto que as estadias de 7 ou mais noites representam 54%, registando uma ligeira diminuição face à 2.ª vaga. No orçamento previsto, 44% dos viajantes indicam uma despesa entre 1.000€ e 2.000€ por pessoa, incluindo alojamento, transporte e atividades.

Nota sobre o projeto

O Estudo de Análise de Sentimento dos Visitantes a Portugal é uma iniciativa do Turismo de Portugal, desenvolvida em parceria com a MINDHAUS e financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O estudo visa acompanhar, de forma sistemática e continuada, as intenções, motivações e preocupações dos turistas internacionais em relação ao destino Portugal. Abrangendo os dez principais mercados emissores, será realizado em duas vagas por ano, ao longo de três anos, assegurando uma monitorização regular e atualizada da evolução do sentimento dos visitantes.