A atividade turística em Portugal manteve uma trajetória de crescimento entre julho e setembro de 2025, apoiada por um desempenho sólido do mercado interno e por dinâmicas regionais muito diferenciadas que reforçam a diversidade da oferta nacional.
O alojamento turístico registou 10,5 milhões de hóspedes e 28,6 milhões de dormidas no 3.º trimestre de 2025, correspondendo a variações de +2,2% e de +2,0%, respetivamente (+4,3% e +4,2%, pela mesma ordem, no 2.º trimestre de 2025). O trimestre confirmou que, num contexto internacional mais moderado, o turismo português continua a expandir-se de forma estável.
Regiões como o Alentejo, a Península de Setúbal e a Madeira destacaram-se com crescimentos acima da média nacional, evidenciando trajetórias próprias de consolidação. O Centro que foi a única região com ligeiros decréscimos nas dormidas, refletindo padrões de procura distintos dentro do território.
A Região Autónoma da Madeira foi o caso mais expressivo, impulsionada por um aumento excecional das dormidas de residentes (+40,2%), o que demonstra um reforço significativo da procura interna e uma capacidade crescente da região para captar visitantes nacionais. Também o Alentejo, tradicionalmente menos dependente do exterior, consolidou o seu posicionamento ao registar aumentos relevantes tanto no mercado interno (+7,3%) como no externo (+5,7%), reforçando o estatuto de destino em expansão.
Já na Península de Setúbal e no Oeste e Vale do Tejo, o comportamento foi distinto: Setúbal apresentou um crescimento equilibrado, enquanto o Oeste sofreu o maior decréscimo nas dormidas de não residentes (-4,2%), apesar do dinamismo do mercado nacional.
Ao longo de 2025, o mercado interno tem ganho importância no conjunto das dormidas. No 3.º trimestre, os residentes representaram a maior parte do crescimento, contribuindo para reduzir a dependência de mercados externos: os visitantes internacionais mantiveram o maior peso, mas com menor expressão relativa (67,8% das dormidas), refletindo um reequilíbrio progressivo da procura. Esta tendência reforça a resiliência do setor e diversifica as bases do crescimento.
Crescente procura dos mercados da América do Norte
Entre os mercados emissores, os Estados Unidos (+6,7%) e o Canadá (+3,7%) voltaram a destacar-se, consolidando a relevância crescente da América do Norte para Portugal. O Reino Unido manteve a liderança entre os mercados internacionais e os padrões de distribuição territorial permaneceram estáveis: britânicos e irlandeses concentraram a maioria das estadias no Algarve, enquanto os norte-americanos se distribuíram sobretudo pela Grande Lisboa (45,6% das dormidas).
Lisboa reforçou a sua posição enquanto principal município turístico, com 4,7 milhões de dormidas (+2,7%), impulsionada por forte crescimento dos residentes (+10,2%). O Porto manteve um desempenho equilibrado, com aumentos nos dois segmentos (+5,0%). Lagos destacou-se entre os destinos do Algarve, com uma das expansões mais consistentes (+7,4%), reforçando a sua atratividade no pico do verão.
RevPAR aumenta 4,1% para 106,5 euros
A rentabilidade do setor continuou a aumentar: o RevPAR atingiu 106,5 euros (+4,1%) e o ADR subiu para 151,3 euros (+4,4%). A Madeira voltou a evidenciar forte aceleração, sobretudo em segmentos de maior qualidade, enquanto o Algarve manteve os valores absolutos mais elevados do país, consolidando o estatuto de destino premium no verão português.
No conjunto, o 3.º trimestre de 2025 confirma um setor que cresce de forma estável, apoiado num mercado interno cada vez mais relevante e num território onde várias regiões reforçam a sua posição competitiva. Madeira, Alentejo e Península de Setúbal beneficiaram da combinação entre menor dependência do exterior e forte procura estival por destinos balneares e de natureza, enquanto ajustes em mercados tradicionais como Reino Unido e Espanha contribuíram para uma redistribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos no país. O resultado é um turismo mais diversificado, mais resiliente e alinhado com um modelo de crescimento em valor.