Após um período de recuperação muito expressiva nos anos imediatamente posteriores à pandemia, o desempenho em 2025 evidencia uma fase de normalização, enquadrada por um contexto económico internacional mais exigente.
De acordo com as estimativas apresentadas no relatório, as chegadas internacionais à Europa cresceram 5,2% em 2025, após um aumento de 7,5% em 2024. De acordo com o webinar da ETC, este abrandamento não representa um sinal de fragilidade do setor, mas antes uma estabilização do ritmo de expansão, numa conjuntura marcada por crescimento económico global mais lento, inflação ainda presente e maior cautela por parte dos consumidores.
O desempenho entre destinos europeus revelou-se heterogéneo. Alguns países da Europa Central e Báltica registaram crescimentos mais expressivos, enquanto determinados mercados tradicionais apresentaram ritmos mais moderados ou ligeiras contrações. Paralelamente, o relatório evidencia uma mudança gradual na distribuição temporal da procura, com sinais claros de deslocação para os meses de shoulder season, particularmente setembro e outubro. Esta tendência sugere uma adaptação comportamental dos viajantes, que procuram evitar picos de preços, congestionamento e condições climáticas extremas, contribuindo para uma gestão mais equilibrada da sazonalidade.
Um dos aspetos mais relevantes deste relatório, prende-se com o facto de o crescimento do gasto turístico superar, em muitos destinos, o crescimento das chegadas. Este fenómeno reforça o valor económico gerado por visitante e demonstra que, apesar da moderação no volume, o impacto financeiro do turismo mantém-se robusto. A inflação associada aos serviços turísticos apresentou sinais de desaceleração ao longo do ano e as projeções apontam para uma continuação desta tendência em 2026, criando condições mais favoráveis à estabilidade do setor.
No plano macroeconómico, o relatório enquadra o turismo europeu num cenário de crescimento global positivo, ainda que mais lento. Mercados como os Estados Unidos, a Índia e o Médio Oriente continuam a revelar dinamismo relevante, enquanto alguns mercados long-haul evidenciaram moderação ao longo de 2025.
Ainda assim, as perspetivas para 2026 são mais otimistas, com a ETC a antecipar um crescimento internacional de 6,2% para a Europa, impulsionado sobretudo por uma maior contribuição dos mercados de longo curso.
Importa, contudo, sublinhar que o short-haul europeu continuará a desempenhar um papel estrutural na sustentação do crescimento global da região.
Esta edição introduz igualmente uma reflexão aprofundada sobre as tendências de mobilidade, em colaboração com a Rome2Rio. Os dados indicam uma mudança significativa nas preferências de transporte, com forte crescimento da procura por soluções ferroviárias e terrestres em detrimento de voos de curta distância. Esta tendência, designada como “surface-first travel”, traduz uma valorização crescente da fiabilidade, conforto e sustentabilidade. Verifica-se também um aumento da procura por viagens noturnas, evidenciando a intenção dos viajantes de maximizar o tempo útil no destino. Estas alterações comportamentais reforçam a ideia de que a forma como se viaja se torna progressivamente tão relevante quanto o destino escolhido.
Em síntese, o relatório do último trimestre de 2025 demonstra que o turismo europeu se encontra numa fase de consolidação. O crescimento abranda face aos anos de recuperação acelerada, mas mantém-se positivo e sustentado por fundamentos sólidos: procura resiliente, maior geração de valor por visitante e adaptação estratégica às novas preferências dos viajantes. O desafio central para os próximos anos reside na capacidade de equilibrar crescimento, acessibilidade e sustentabilidade, garantindo competitividade num contexto internacional ainda marcado por incerteza.