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European Tourism Trends & Prospects - Q3/2025

A European Travel Comission (ETC) divulgou o seu relatório sobre o Turismo na Europa no terceiro trimestre de 2025. A presente edição do relatório European Tourism Trends & Prospects continua a acompanhar a evolução do sector das viagens e turismo.

Pedro Pereira
European Travel Comission
16 fevereiro 2026

O relatório trimestral da European Travel Commission (ETC) analisa o desempenho, as tendências e as perspetivas do turismo europeu até o terceiro trimestre de 2025. De um modo geral, o setor mostra resiliência e crescimento moderado, apesar de um contexto global marcado por inflação ainda elevada, riscos climáticos e incertezas económicas internacionais.

Em 2025, as chegadas internacionais à Europa aumentaram 3% face a 2024, e as dormidas cresceram 2,7%. O gasto médio por visitante também subiu, refletindo a disposição dos consumidores em continuar a viajar mesmo com custos superiores, dando prioridade ao lazer e a descoberta cultural.

O relatório incide sobre quatro áreas fundamentais: Desempenho turístico e económico até ao verão de 2025; Tendências emergentes e mudança de comportamento dos viajantes; Análise dos principais mercados emissores; Perspetivas macroeconómicas globais para 2026.

O verão de 2025 foi caracterizado por forte procura turística, apesar das ondas de calor extremo e dos preços elevados. A perceção de superlotação e calor extremo levou 28% dos viajantes dos principais mercados emissores europeus a considerar uma mudança dos períodos de viagem, preferindo meses mais calmos e frescos.

Entre 34 países europeus, 30 registaram crescimento de chegadas e/ou dormidas. Os melhores desempenhos foram dos seguintes países: Chipre (+10%), Malta (+12%), Polónia (+13%), Finlândia (+14%), Hungria (+9%) e Noruega (+14%).

O uso de inteligência artificial no planeamento de viagens aumentou de 10% (2024) para 18% (2025), com a China (40%), a Europa e os EUA a lideraram esta tendência.

As ferramentas de IA estão a ajudar os viajantes a encontrar melhores ofertas e destinos alternativos, uma oportunidade importante para atrair visitantes fora da época alta.

O tráfego aéreo europeu cresceu 2,6% entre junho e agosto. A capacidade aérea (número de lugares disponíveis) expandiu-se, tendo as taxas de ocupação médias sido de 82,7%, demonstrando um equilíbrio saudável entre oferta e procura. Os países com maior aumento de voos foram o Chipre (+10%), a Polónia (+9%) e a Eslovénia (+8%).

Em termos de alojamento, a hotelaria europeia mostrou resiliência, com o RevPAR (receita por quarto disponível) a subir +1,9% face a 2024, a ocupação média +0,6% e o ADR (tarifa diária média) +1,2%. A Europa e o Médio Oriente foram os únicos continentes com procura hoteleira acima de 2024. No entanto, o crescimento está a abrandar e o setor enfrenta desafios na sua relação com as OTA’s.

No arrendamento de curta duração (alojamento local) o crescimento de oferta desacelerou fortemente tendo sido de apenas +1,2% anual, o que compara com os 10-18% verificados em 2023-2024. Em agosto de 2025 estavam registadas 5,43 milhões de propriedades ativas.

Apesar da desaceleração económica, os consumidores continuam a gastar mais em viagens, com o turismo a representar 3,1% do total do consumo europeu (espera-se 3,3% em 2026). Entre as principais tendências identificadas destacam-se: A procura por valor e flexibilidade, com os viajantes a procurarem economizar, evitar multidões e fugir ao calor extremo; a utilização de ferramentas de IA a transformarem a fase de planeamento de viagens estimando-se em 18% os turistas globais que já usam assistentes virtuais; deslocamento da sazonalidade com uma escolha crescente de viagens fora da época alta (primavera e outono); a valorização de experiências sustentáveis e autênticas. A IA e a automação de pesquisas permitem aos destinos promoverem a procura fora do pico da estação alta, conhecer locais menos visitados e viajar de forma responsável.

Quanto ao comportamento dos principais mercados emissores, europeus e de long-haul, foi globalmente positivo, destacando-se:

Mercados Intra-Europeus

  • Alemanha: procura refletiu-se em viagens mais curtas e foco em destinos mais baratos (Polónia, Bulgária, Estónia);

  • França: Aumentaram as viagens domésticas, em contraponto com uma queda em destinos mediterrâneos, principalmente, Grécia e Chipre; e um crescimento para a Polónia e o Luxemburgo;

  • Itália: mantém forte procura internacional, com aumento para a Polónia (+30%) e Suíça (+3,6%);

  • Reino Unido: aumento de viagens para Espanha (+4%) e Finlândia (+14%) e recuo para a Turquia (-3,7%);

  • Holanda: procura em alta para a Bélgica (+10%), estável para Espanha e descida para a Turquia.

Mercados de Long-Haul

  • EUA: crescimento de viagens (+5%) em comparação com 2024. Os destinos mais populares foram a Irlanda (+3,7%) e a Noruega (+32%);

  • China: crescimento de +21% nas chegadas; destaque para destinos como a Noruega, Polónia e Islândia. Está ainda abaixo dos níveis de 2019;

  • Japão: cresceu +24% nas chegadas. A Islândia foi o destino em destaque;

  • Índia: crescimento de +11% nas chegadas, refletido na procura por destinos acessíveis;

  • Brasil: aumento de +11,6% das chegadas. Aumento da procura para Espanha e norte da Europa.

Em conclusão, durante 2025 o turismo europeu demonstrou robustez e capacidade de adaptação, o que se refletiu numa procura sólida mesmo sob pressão económica, com turistas a darem prioridade a experiências marcadas pela autenticidade e sustentabilidade. O Equilíbrio e a sustentabilidade são as chaves para o crescimento futuro do setor.

A ETC reforça que o desafio central é redistribuir o valor e o fluxo turístico de forma justa, equilibrada e ecológica, alinhando o turismo europeu com as metas de responsabilidade social e ambiental da década.