Enquanto os mercados maduros procuram relaxamento e segurança, a nova geração de viajantes chineses e indianos está focada na "Experiência sobre Monumentos", privilegiando a imersão cultural e a gastronomia em detrimento dos pontos turísticos genéricos. Para Portugal, este cenário é promissor, com o país a figurar nos planos de viagem de 13% a 20% dos turistas destes mercados que pretendem visitar a Europa nos próximos três anos.
O ecossistema digital define o sucesso da reserva, mas de formas muito diferentes. A China lidera a digitalização massiva, com 90% dos viajantes a utilizarem o telemóvel e "Super Apps" como WeChat e Douyin para todo o processo. Já a Índia consolidou-se como o mercado que mais consome vlogs, com 89% dos turistas a utilizarem o YouTube como principal fonte de inspiração e validação social. Em contraste curioso, 70% dos japoneses ainda preferem usar computadores tradicionais para o planeamento, valorizando a pesquisa detalhada e o suporte de agentes de viagens.
No que respeita ao "Paradoxo da Sustentabilidade", 96% dos viajantes indianos estão dispostos a pagar taxas extra por opções ecológicas, mas apenas 23% dos japoneses aceitariam o mesmo custo. A estratégia para captar estes mercados resistentes passa por vender a sustentabilidade não como ativismo, mas como "autenticidade", promovendo o consumo de produtos locais e a fuga às multidões, conceitos que ressoam com o desejo de exclusividade destes turistas.
No que toca a motivações específicas, Portugal tem focos poderosos: a gastronomia é um fator determinante para 61% dos chineses, que veem a comida como uma atividade central da viagem e não apenas uma refeição. Por outro lado, os indianos destacam-se pelo espírito aventureiro, com um interesse em viagens de aventura (52%) que duplica o dos seus homólogos nipónicos. Em termos de calendário, os city-breaks portugueses mantêm uma procura estável todo o ano, mas o nosso turismo de natureza atinge o pico de interesse entre julho e setembro.
Já a segurança e a higiene tornaram-se a "moeda principal" de troca na região APAC, superando até as promoções de baixo custo. Os hotéis de gama média são a escolha preferencial de todos, mas há uma apetência crescente pelo luxo na China e na Índia, onde as reservas em classe executiva e 1.ª classe são significativamente superiores. Para conquistar este viajante em 2026, Portugal deve apostar num atendimento humanizado e em padrões de limpeza rigorosos, fatores que os australianos e indianos consideram cruciais na escolha do alojamento.