Os visitantes destes mercados da América Latinas são, sobretudo, jovens adultos e famílias com elevado poder aquisitivo, que procuram experiências de qualidade e exclusividade. Esta preferência traduz-se numa forte inclinação pela hotelaria de luxo e por estadas prolongadas, que variam, em média, entre os 7 e os 12,5 dias, permitindo um maior contacto com a cultura e a oferta turística portuguesa.
No que respeita ao comportamento de compra, a digitalização é uma marca forte, com uma crescente tendência para a realização de reservas online. Este fenómeno é, particularmente, visível nos mercados do México e do Chile, onde os viajantes demonstram uma maior autonomia digital no planeamento das suas viagens.
Segundo o estudo Portrait of Latin American International Travelers 2025, o lazer é o principal motor destas viagens, com uma procura crescente por experiências culturais autênticas, gastronomia, lifestyle e destinos percebidos como seguros e acolhedores. Embora a Europa continue no topo das preferências e cresça o interesse por destinos menos massificados, a conectividade aérea direta continua a influenciar a escolha final. É ainda de notar que a sustentabilidade surge como um valor aspiracional, sobretudo entre os mais jovens, embora ainda exista um hiato entre a intenção e a decisão de compra quando esta envolve custos adicionais. Para as marcas turísticas, isto implica uma necessidade de comunicação segmentada, maior investimento em storytelling digital e a oferta de experiências flexíveis e culturalmente relevantes.
Ao analisarmos a procura externa em Portugal, o Brasil continua a ser o grande motor desta região. Em 2025, o mercado brasileiro consolidou-se como 7.º mercado da procura externa para Portugal no indicador de dormidas (quota: 5,4%). Embora com volumes distintos, os restantes países em análise mostram o seu potencial de crescimento: o México surge na 31.ª posição (0,3% de quota), seguido de perto pela Argentina em 32.º lugar (0,3%). No mesmo ano de 2025, a Colômbia ocupa o 38.º mercado (quota: 0,2%) e o Chile se posiciona em 47.º (0,1%). Já com base nos dados mais recentes do Peru, referentes a 2024, o país encontra-se na 53.ª posição, com uma quota de 0,1% das dormidas.